Vereador é denunciado por extorsão contra prefeitura e nega acusação
Secretário de Governo acusa parlamentar de exigir aumento em verba de publicidade institucional
| GABRIEL DE MATOS E HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
De acordo com o boletim de ocorrência, o vereador era responsável por uma página de notícias no Facebook e recebia R$ 9 mil mensais da prefeitura para divulgar ações do governo municipal. No entanto, após as eleições, esse valor foi reduzido para R$ 5 mil, o que teria motivado o parlamentar a intensificar ataques diários contra a gestão. Durante reuniões com o secretário, o vereador teria solicitado um aumento para R$ 15 mil mensais para cessar as críticas.
Fábio afirmou em boletim de ocorrência que o vereador Rones Cezár (PSDB) o abordou para exigir o aumento. 'Pra começar a conversar, são 15 mil reais', teria dito o vereador, segundo o relato do secretário. Diante da surpresa, o secretário questionou: 'Não estou entendendo'. Rones então insistiu: 'Você sabe sim. A minha mídia é 6 mil reais, mas eu quero 15 mil para começar a conversar'.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o secretário respondeu que 'sua mídia está cortada cem por cento, porque agora você é vereador e não pode receber mídia'. Diante da negativa, o vereador teria ameaçado: 'Então vocês vão ver as lapadas que eu vou dar em vocês', referindo-se à gestão do prefeito reeleito.
Em entrevista ao Campo Grande News, o vereador negou as acusações e afirmou que se trata de uma retaliação política. Segundo ele, a denúncia surgiu após sua decisão de não apoiar a chapa da mesa diretora da Câmara defendida pelo grupo do secretário. Rones declarou que tomou conhecimento das acusações recentemente. A Polícia Civil investiga o caso para apurar os fatos e possíveis responsabilidades.
Ele também afirmou que não é o dono do site Alvorada Informa, mas confirmou que presta serviços para a prefeitura e recebe pagamentos pelos trabalhos realizados. O parlamentar alegou que tem direito de cobrar qualquer valor pela publicidade institucional, mas que a decisão de pagar ou não cabe à gestão municipal.
'Se o serviço aumenta, é natural que o valor seja maior. Mas quem decide pagar ou não é a prefeitura. Não existe extorsão, isso é uma tentativa de me denegrir por questões políticas', afirmou o vereador.
O parlamentar reforçou que todas as atividades desempenhadas por seu veículo de comunicação foram devidamente documentadas e contratadas dentro da legalidade. 'Sempre trabalhamos com transparência e recebemos apenas pelos serviços prestados. Se a prefeitura decidiu reduzir o valor, isso é uma escolha deles, mas isso não significa que nossas críticas sejam infundadas', disse.
Rones também questionou o momento em que a denúncia foi feita e afirmou que ela surgiu logo após a publicação de uma matéria no Alvorada Informa. No texto, o jornal cita que o secretário estaria na lista de 'ficha suja' do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul). 'Por que essa denúncia só aparece agora, depois das eleições? Desde 2020, prestávamos serviço normalmente. Isso claramente é uma retaliação por não termos apoiado a chapa deles na Câmara', argumentou.
O vereador também destacou a importância da liberdade de imprensa e criticou a tentativa de vincular suas atividades profissionais a supostas irregularidades. 'Estamos sendo perseguidos por fazermos um jornalismo independente. Temos o direito de cobrar pelos serviços prestados, assim como qualquer outro veículo de comunicação. Isso não significa que estamos extorquindo alguém', declarou.












