Vacina contra bronquiolite deve chegar a MS ainda nesta semana; confira quem poderá se imunizar

A vacina é o principal meio de combate do vírus sincicial respiratório, que responde por 60% das pneumonias em crianças

| MIDIAMAX


Unidade de atendimento em Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Esperança para frear os casos de bronquiolite em todo o país, Mato Grosso do Sul se prepara para a chegada das vacinas contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório). A previsão é que cerca de 39 mil doses desembarquem no Estado até o fim de novembro. O público-alvo abrange gestantes a partir da 28ª semana de gestação, que deverão receber uma dose do imunizante.

Em 2025, Campo Grande notificou 3.140 casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Do total, 594 estão classificados como infecção pelo VSR, principal causador da bronquiolite e pneumonia. Dentre eles, 391 acometeram bebês com menos de 1 ano. Os dados são do Painel de Síndromes Gripais e Respiratórias da CIEVS (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde).

A SRAG engloba casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória. As causas variam e incluem o vírus sincicial respiratório, influenza, Covid-19, rinovírus, entre outros agentes virais.

Conforme a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a vacinação durante a gestação possibilita que os anticorpos passem para o bebê pela placenta, garantindo proteção desde o nascimento, período em que a criança está mais vulnerável a infecções respiratórias. A vacina pode ser aplicada até a última semana de gestação.

“Esse efeito é especialmente importante nos primeiros meses de vida, quando o bebê ainda não pode receber diretamente outros imunizantes contra o VSR”.

Treinamento de equipes
Na última semana, a SES anunciou que concluiu o treinamento das equipes, alinhou fluxos com os municípios e equipes das UBS (Unidades Básicas de Saúde) que iniciarão a aplicação assim que o Ministério da Saúde entregar as vacinas.

“Mato Grosso do Sul está com toda a rede de saúde estruturada para iniciar a vacinação contra a bronquiolite em grávidas a partir de 28 semanas de gestação. O imunizante que integrará o SUS (Sistema Único de Saúde) deve chegar ainda neste mês aos estados”.

Ao todo, serão 1,8 milhão de doses distribuídas para todo o país como forma de combater o VSR, que responde por 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos.

“O alinhamento prévio com as equipes municipais permite que toda a rede opere com fluxo definido, garantindo segurança e eficiência na distribuição e aplicação. A rede está organizada para garantir que cada gestante receba a dose no tempo certo”, afirmou a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone.

Incorporação da vacina ao SUS
A incorporação da vacina recombinante Abrysvo (Pfizer), destinada a gestantes, ao SUS foi anunciada em fevereiro pelo Ministério da Saúde. Além disso, a pasta anunciou a incorporação da vacina de anticorpo monoclonal Nirsevimabe, indicada para bebês prematuros e crianças com comorbidades. No entanto, ainda não há uma data definida para que Nirsevimabe esteja disponível na rede pública.

Atualmente, essas vacinas estão disponíveis somente na rede privada, com preços que variam de R$ 1.599 a R$ 1.760, podendo chegar a R$ 4 mil. No Brasil, a vacina Arexvy (GSK) está indicada para idosos, enquanto a Abrysvo (Pfizer) pode ser aplicada em idosos, gestantes e pessoas com comorbidades a partir dos 18 anos. Já o anticorpo monoclonal Nirsevimabe (Beyfortus) está recomendado para bebês com menos de dois anos.

Com a inclusão no SUS, a meta é reduzir internações e mortes relacionadas ao VSR. Entre 2018 e 2024, o Brasil registrou mais de 83 mil internações de bebês prematuros por complicações ligadas ao vírus, como bronquiolite e pneumonia.

Estratégia combinada pode proteger até 2 milhões de bebês
Em fevereiro, o Ministério da Saúde informou que estudos apresentados à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) apontam que a vacinação de gestantes pode evitar até 28 mil hospitalizações por ano.

A estratégia de imunização prevê ações ativas e passivas. Isso porque, com a vacina administrada durante a gestação (imunização ativa), os anticorpos passam da mãe para o bebê. Com a vacina nirsevimabe (imunização passiva), há proteção imediata. A combinação pode proteger cerca de 2 milhões de bebês nos primeiros meses de vida, período em que estão mais suscetíveis a infecções respiratórias graves.

Vacina recombinante Abrysvo: aplicada em gestantes, induz a produção de anticorpos transferidos ao feto durante a gestação, protegendo o recém-nascido nos primeiros seis meses de vida.

Nirsevimabe (Beyfortus): anticorpo monoclonal que oferece proteção imediata contra o VSR, sem necessidade de estimular o sistema imunológico da criança. Indicado especialmente para prematuros e crianças menores de dois anos com comorbidades.

A adoção dessas tecnologias resulta da articulação entre a SAPS (Secretaria de Atenção Primária à Saúde), o PNI (Programa Nacional de Imunizações) e o SECTICS (Departamento de Assistência Farmacêutica).

Vírus Sincicial Respiratório
Responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos, o VSR é altamente prevalente. Estimativas indicam ainda que uma em cada cinco crianças infectadas precisará de atendimento ambulatorial, enquanto uma em cada 50 pode precisar de hospitalização no primeiro ano de vida.

Até então, a única alternativa preventiva disponível no SUS era o palivizumabe, voltado a casos de maior gravidade. Com a chegada do nirsevimabe, a expectativa é ampliar a proteção para mais 300 mil crianças além do atual público-alvo.

Em nota, o Ministério da Saúde, por meio do DPNI (Departamento do Programa Nacional de Imunizações), informou que, em março, realizou uma reunião com a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização para definir a estratégia de implementação e iniciar o processo de aquisição das novas tecnologias.

A previsão era que, a partir do segundo semestre deste ano, os bebês nascidos no Brasil receberiam a proteção por uma estratégia de profilaxia. Enquanto gestantes iriam receber uma dose da vacina, transmitindo aos bebês imunidade contra o vírus sincicial respiratório por até seis meses.



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