Tratamento da queda de cabelo avança com métodos de estimulação cada vez mais precisos e eficazes

De um novo laser ao remédio de ação prolongada: conheça as apostas

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TOPO VAZIO - Queixa comum: calvície pode afetar mais de 50% dos homens com o envelhecimento  (Agrobacter/Getty Images)

Uma pergunta vem dominando a cabeça de mais da metade dos homens pelo menos desde o Egito e a Grécia Antiga. Afinal, como resolver a calvície? Durante 5 000 anos de história, tentou-se de tudo um pouco: do uso de gordura e fezes animais a perucas. Mas a virada só aconteceu mesmo no século XX, quando despontaram os primeiros (e ainda rústicos) transplantes capilares e medicamentos capazes de agir nos fios. Pois agora vive-se uma era completamente diferente. Uma era em que o arsenal de tratamentos para queda de cabelo engrossou em qualidade e variedade. A ponto de, confiantes na ciência, alguns especialistas já afirmarem que a careca não é mais um destino.

A nova geração de terapias anticalvície foi apresentada e discutida no mais recente congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em Fortaleza. Ciente da popularidade do tema, o evento, que reuniu mais de 3 000 profissionais, concedeu atenção especial à alopecia androgenética, o nome técnico da principal condição por trás da queda de cabelo, que atinge entre 50% e 80% dos homens com o avançar da idade, mas também até 40% das mulheres. Trata-se de um problema de origem genética que responde pelo afinamento e pela perda dos fios. E para o qual a medicina dispõe hoje de soluções que vão de aplicações de laser a medicações injetáveis, desde que iniciadas a tempo.

Apesar do boom dos transplantes capilares, que registraram aumento de 230% apenas na região das Américas entre 2010 e 2021, há um interesse gigantesco e genuíno por tratamentos que antecedam as clareiras na cabeça. Em outras palavras, lançar mão de estratégias para evitar o adeus definitivo aos cabelos. “Hoje tratamos a calvície da mesma forma que a obesidade, ou seja, é uma doença crônica que não tem cura, mas tem controle”, diz a dermatologista Bruna Duque Estrada, da SBD. É visão que dialoga com a ideia de que combinar terapias pode ser a melhor forma de reflorestar o couro cabeludo.

A ideia, em linhas gerais, é avaliar a região e o estado de saúde para traçar um plano personalizado. Ele pode envolver não só medicamentos de uso tópico ou oral como também métodos como microagulhamento e laser de baixa potência para regenerar o folículo piloso. A missão é uma só: ativar o potencial máximo da natureza para os cabelos crescerem e aparecerem. A tecnologia, sem dúvida, evoluiu para dar conta do recado com mais precisão e eficácia. No Brasil, acaba de desembarcar um novo laser especialmente desenhado para essa finalidade, o FoLix, aplicado em até seis sessões de trinta minutos, com manutenções anuais. “Durante muito tempo, adaptamos o couro cabeludo a tecnologias criadas originalmente para a pele. Agora começamos a ter equipamentos realmente pensados para o cabelo”, diz a médica Lilian Brasileiro, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Os avanços são também notáveis no campo dos transplantes e dos fármacos em si. Até a inteligência artificial já vem sendo recrutada. “Ela ajuda no diagnóstico, no monitoramento e na contagem dos fios durante a cirurgia e integra os robôs que implantam cabelos”, diz a dermatologista Luciana Passoni, especialista em calvície de São Paulo. Algumas propostas, é verdade, ainda carecem de chancela científica. Famoso nas redes sociais, o plasma rico em plaquetas é uma solução injetável que usa células do sangue do paciente para intensificar a renovação capilar. “Tem um histórico interessante de estudos, mas ainda não está aprovado e disponível”, alerta Estrada.

Para os remédios, o futuro aponta uma inovação semelhante à ocorrida com as canetas emagrecedoras, nas quais doses diárias foram espaçadas para aplicações semanais. “As medicações de longa duração estão sendo estudadas, como o minoxidil e a finasterida de liberação prolongada”, destaca a médica da SBD. E ainda há promessas a debutar, caso do VDPHL01, batizado de “novo minoxidil”, cujo comprimido produziu melhoras na cobertura de cabelo em mais de 80% dos voluntários nas pesquisas. Demanda para as velhas e novas opções existe. E a ciência aponta para um futuro em que manter a cabeça cheia de fios será um sonho bem mais fácil de realizar.



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