Um levantamento recente intitulado “Da fronteira ao Pacífico: o Acre no corredor comercial andino”, produzido pelo Fórum Empresarial do Acre com apoio do Sebrae, revela que o estado vem consolidando sua posição estratégica no comércio com países andinos, especialmente Peru e Bolívia.
De acordo com o estudo, a localização geográfica do Acre — com acesso direto ao Pacífico e fronteira com esses dois países — tem se tornado um diferencial competitivo. No entanto, o relatório destaca que essa vantagem só se transforma em resultado econômico quando acompanhada por infraestrutura eficiente, operações aduaneiras ágeis e capacidade produtiva contínua.
Relação com Peru e Bolívia se torna eixo central da economia
Entre 2019 e 2025, praticamente todo o comércio do Acre com países andinos ficou concentrado em dois destinos: Peru e Bolívia, que juntos responderam por mais de 99% desse fluxo.
O Peru lidera com ampla vantagem, absorvendo cerca de 80% das exportações, enquanto a Bolívia participa com aproximadamente 19%. Os dados mostram que essa relação deixou de ser secundária e passou a ter papel estrutural na economia acreana.
Investimentos e agronegócio impulsionam crescimento
O secretário da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre, Assurbanipal Mesquita, atribui o avanço das exportações a políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo.
Segundo ele, o crescimento do agronegócio foi decisivo, com destaque para a expansão da produção de milho e soja, além do avanço em culturas como café. Esses insumos têm sustentado cadeias industriais exportadoras, como a de proteína suína.
Um exemplo citado é a indústria Dom Porquito, que hoje utiliza matéria-prima produzida no próprio estado, reduzindo custos e aumentando a competitividade.
Outro fator relevante foi o reconhecimento sanitário obtido com o trabalho do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC), que garantiu ao estado o status de área livre de febre aftosa sem vacinação — certificação restrita a poucos estados brasileiros.
Esse avanço abriu portas no mercado internacional, atraindo missões comerciais, como a recente visita de representantes das Filipinas interessados em credenciar indústrias locais.
Incentivos atraem investimentos, mas logística ainda limita avanço
Além do fortalecimento produtivo, o governo estadual também tem investido em ações de promoção comercial, como participação em feiras internacionais, rodadas de negócios e incentivos fiscais. Segundo a Seict, essas iniciativas já estimularam mais de R$ 400 milhões em investimentos privados.
Apesar disso, gargalos logísticos continuam sendo um dos principais entraves. Entre os desafios apontados estão:
Melhor aproveitamento de rotas internacionais, como o Porto de Xangai
Modernização das estruturas alfandegárias
Conclusão do anel viário de Brasileia, sob responsabilidade do Dnit
O governo também estuda modelos de alfândega integrada para reduzir custos e agilizar o fluxo de mercadorias.
Rodovias são fundamentais para ligação com o Pacífico
A BR-317 é hoje o principal corredor de saída do Acre rumo ao Pacífico, conectando Rio Branco a Assis Brasil e, posteriormente, à malha rodoviária peruana via Iñapari.
Já a BR-364 desempenha papel essencial na integração interna, ligando a capital aos municípios e sustentando o escoamento da produção.
Diversificação da pauta exportadora é próximo passo
Apesar do crescimento, a pauta de exportações do estado ainda é concentrada, principalmente em proteína animal, soja e castanha.
Para 2026, a estratégia será ampliar a diversidade de produtos no mercado internacional. Entre os itens com potencial de expansão estão:
Açaí
Mandioca e derivados
Farinha
Produtos da biodiversidade
Café
A proposta inclui identificar empresas com capacidade exportadora e apoiar processos de certificação e regularização.
Acre pode se tornar polo logístico para importações
Outra frente estratégica é transformar o estado em um centro logístico para entrada de produtos asiáticos no Brasil. A ideia é capacitar empresários locais para atuar na importação e revenda, aproveitando a posição geográfica privilegiada.
O chamado Polo Logístico é visto como peça-chave nesse projeto, com potencial para gerar novos negócios e ampliar a renda no estado.
Crescimento recente confirma consolidação no mercado
Após um período de oscilações até 2023, o comércio exterior acreano ganhou força a partir de 2024 e segue aquecido em 2025, impulsionado principalmente pelas exportações.
Embora a participação do Acre ainda seja pequena no cenário nacional, o estado vem ampliando sua presença de forma consistente em nichos específicos, especialmente no mercado peruano.
Entre os principais produtos exportados estão:
Carne suína
Castanha
Milho em grão
Produtos para alimentação animal
Mesmo com esse avanço, a concentração em poucos produtos ainda representa um risco, tornando o desempenho sensível a variações de preço e demanda.
Integração com o Pacífico é caminho estratégico
O estudo reforça que o Acre já está inserido no comércio andino, mas ainda possui grande potencial de expansão. A consolidação desse avanço depende de investimentos contínuos em infraestrutura, logística e fortalecimento das cadeias produtivas.
A perspectiva do governo é clara: transformar o estado em um elo estratégico entre o Brasil e o Pacífico, ampliando tanto as exportações quanto as oportunidades de importação.
Fonte: Fórum Empresarial do Acre / Sebrae / Seict
Deixe o Seu Comentário