Até as 23h59 desta sexta-feira, o tabuleiro acreano pode virar de cabeça para baixo. Fontes revelam: Alan Rick pode amanhecer no PL. E isso é só o começo.
4 de abril de 2026 — Último dia para filiação partidária
Quem dorme cedo no Acre pode acordar amanhã sem reconhecer o mapa político do estado.
Hoje, 4 de abril de 2026, é o último dia para filiação partidária. O prazo final. A última chamada. Depois da meia-noite, quem não estiver no partido certo, no lugar certo, com a ficha assinada, está fora do jogo. E o que se vê nesta sexta-feira é uma correria que mistura desespero, cálculo frio, traição e ousadia.
A política acreana está fervendo. E como se diz no popular: até boi pode voar.
A BOMBA: ALAN RICK NO PL?
Fontes do mais alto escalão do União Brasil revelaram ao autor desta coluna uma informação que, se confirmada, redesenha toda a eleição de 2026 no Acre:
O senador Alan Rick, atual pré-candidato a governador pelo Republicanos, líder absoluto de todas as pesquisas eleitorais, pode amanhecer amanhã filiado ao PL.
A movimentação, mantida sob sigilo até as últimas horas, teria o aval de setores do PL que enxergam em Alan Rick a única candidatura capaz de vencer o governo em primeiro turno. E quem teria coragem de fazer essa jogada? Márcio Bittar.
Sim, o mesmo Bittar.
A lógica é brutal e pragmática: ao trazer Alan Rick para o PL, Bittar garantiria para si o palanque do candidato mais forte ao governo — e, por consequência, estaria praticamente blindando sua reeleição ao Senado.
O FATOR GLADSON: INELEGIBILIDADE À VISTA?
Mas há um elemento que está acelerando todas essas movimentações nos bastidores: o julgamento de Gladson Cameli.
O STJ retoma no dia 15 de abril — daqui a apenas 11 dias — o julgamento da Ação Penal 1.076, na qual a relatora, ministra Nancy Andrighi, já votou pela condenação do ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por corrupção, peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. Se o plenário da Corte Especial acompanhar a relatora, Gladson se torna inelegível.
Fontes ligadas ao PL já dão como certa a condenação. E é exatamente por isso que a engrenagem está girando em velocidade máxima. Bittar não estaria apenas jogando xadrez — estaria antecipando o xeque-mate.
Se Gladson cair, a candidatura ao Senado dele desaparece. E com ela, toda a arquitetura que sustenta o projeto Mailza-Gladson-Bittar.
MAILZA E BITTAR: ÁGUA E ÓLEO
Não é segredo para ninguém: a governadora Mailza Assis e o senador Márcio Bittar não se bicam. A aliança entre os dois sempre foi de conveniência — sustentada exclusivamente pela presença de Gladson como elo de ligação.
Se Gladson sai do tabuleiro por inelegibilidade, o que sobra? Uma governadora sem palanque de senador e um senador sem palanque de governador. A conta não fecha.
E é exatamente isso que alimenta a ousadia da possível ida de Alan Rick para o PL. Bittar pode estar apostando todas as fichas numa troca de cavalo em plena corrida.
A TURMA DE SOCORRO NERI JÁ SE MEXEU
Quem não está dormindo é a turma do governo.
A possibilidade de inelegibilidade de Gladson já provocou movimentos concretos. O mais revelador: Aberson Carvalho, fiel escudeiro da deputada federal Socorro Neri, se filiou ao MDB nesta reta final. Muita gente achou que era para ser vice de alguém.
Não é.
Fontes próximas revelam que Aberson vai para o MDB para disputar uma vaga na Câmara Federal. O motivo? Socorro Neri quer ir para o Senado. Já está articulando. Já está conversando. E a movimentação de Aberson é a prova de que o grupo já está se reorganizando para um cenário sem Gladson.
CORONEL ULYSSES: OLHO NO SENADO, MÃO NA NACIONAL
Outro que já trabalha com a hipótese de condenação de Gladson é o deputado federal Coronel Ulysses. Seu grupo político já tem alinhamento com a direção nacional do União Brasil para apoiar Fábio Rueda — irmão do presidente nacional da sigla, Antônio Rueda — desde que o partido banque Ulysses para o Senado.
A equação é simples: apoio nacional em troca de palanque local. E com Gladson fora, sobram vagas no tabuleiro.
VELLOSO FAZ GESTO A MAILZA — MAS O GOVERNO QUER AFOGÁ-LO
No campo do deputado federal Eduardo Velloso, pré-candidato ao Senado pelo Solidariedade, o movimento mais recente foi um gesto de boa vontade em direção à governadora Mailza.
Pedro Valério, aliado de Velloso, se uniu ao Podemos e liberou todos os seus candidatos a deputado federal e estadual para a legenda — um aceno claro ao grupo governista.
O sonho de Velloso é simples: ter o apoio de Mailza para o Senado. Mas fontes do Palácio Rio Branco pintam um quadro bem diferente. A ordem, segundo interlocutores do governo, é direta e implacável: “Arrancar tudo dele e deixar ele morrer sozinho.”
Será que conseguem? Quem acompanha a trajetória de Velloso sabe que ele não é homem de se render fácil.
MADSON CAMELI: O MARIDO QUE FICOU PEQUENO
Quem sai diminuído neste cenário é Madson Cameli, marido da governadora Mailza. Ele pegou o comando do Podemos no Acre para si, mas, segundo fontes, não vai entregar um único deputado federal ao partido. Talvez um estadual. Talvez.
Em um momento em que cada legenda conta, cada vaga de deputado vale ouro e cada coligação pode definir a eleição, ficar com um partido nas mãos sem montar chapa é como ter um avião sem combustível.
NEY AMORIM: TERCEIRA VEZ É A VENCIDA?
O ex-deputado Ney Amorim deve se filiar ao MDB hoje para tentar uma vaga na Câmara Federal. Seria sua terceira tentativa consecutiva. Nas duas anteriores, não conseguiu sequer montar chapa de deputados federais.
Como diz o ditado acreano: na próxima, pode pedir música no Fantástico.
VELLOSO: SOZINHO, MAS DE PÉ
Eduardo Velloso segue no Solidariedade. Sozinho. Remando contra a correnteza — ou contra a maré, como se diz por aqui.
A pergunta que fica é: ele terá a mesma habilidade que Alan Rick teve em 2022, quando furou o bloqueio e se elegeu senador? Ou a mesma que Petecão teve em 2010, quando ninguém dava nada por ele e ele surpreendeu todo mundo?
Uma coisa é certa: estão tentando afogar Velloso. O problema é que ele já mostrou que sabe nadar em rio bravo.
BOCALOM: O VELHO GUERREIRO E SUAS CHAPAS
Do lado do prefeito Bocalom, a correria é para montar chapas de deputados federais para o PSDB e para o Republicanos de Roberto Duarte.
No PSDB, falta uma pessoa com densidade eleitoral suficiente para fechar a chapa. No Republicanos, a situação melhorou com a chegada da ex-deputada Vanda Milani, mas ainda não é o suficiente.
O mesmo dilema atinge o próprio Madson Cameli com o Podemos.
O PARADOXO DOS DERROTADOS
E aqui está o dado mais irônico desta reta final:
Praticamente todos os pré-candidatos a governador e senador podem sair derrotados antes da eleição começar.
Alan Rick, Bocalom e Madson Cameli prometeram montar chapas de deputados federais. Se não conseguirem, perdem força de coligação, perdem tempo de TV, perdem capilaridade. Prometeram e podem não entregar.
No Acre, quem não monta chapa não tem exército. E quem não tem exército não ganha guerra.
O QUE ESPERAR ATÉ A MEIA-NOITE
As próximas horas serão as mais intensas do calendário eleitoral acreano. Celulares vão tocar. Reuniões de última hora vão acontecer. Fichas de filiação vão ser assinadas em cima do capô de carro, em mesa de restaurante, em corredor de partido.
E quando o relógio bater meia-noite, o Acre vai acordar com um novo mapa político.
A pergunta não é se haverá surpresas. A pergunta é: quantas?
Porque neste Acre de 2026, como já dissemos: até boi pode voar.
Informações obtidas junto a fontes do alto escalão do União Brasil, do PL, do governo do Estado e de interlocutores diretos dos pré-candidatos citados.
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